Queridos visitantes,
Este blog está direcionado a informação sobre problemas ambientais e de saúde. Recebo muitos posts pedindo ajuda mas infelizmente não é possíve realizar "consultas virtuais". Mandem suas dúvidas mas não me peçam orientação de tratamento. Tentarei ajudar até o limite da ética. Obrigada

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Queloides e Cicatrizes hipertróficas

 Toda vez que nós machucamos a pele ocorre a formação de uma cicatriz. Em algumas pessoas, por questões hereditárias, se forma a cicatriz hipertrófica ou o quelóide.

O quelóide é uma lesão proliferativa, formada por tecido de cicatrização, fibroso, secundária a um traumatismo da pele.Há uma predisposição individual para o seu aparecimento, sendo mais comum em negros e mestiços.

Quadro Clínico

A maioria das lesões (92,3%) localiza-se em posição superior ao abdome. A orelha (principalmente o lóbulo) , e a parede torácica (mais especificamente, o peito ou região pré-esternal)  são os locais mais freqüentes, seguidos pela região lateral da face e pescoço. Na parede abdominal localizam-se 7,0% das lesões , e nos membros inferiores (coxa ou perna) 1,6% (figura 10).



A acne do tronco pode dar origem a lesões queloideanas (acne queloideano) e também um tipo de foliculite que ocorre na nuca (foliculite queloideana).


O quelóide pode ter crescimento contínuo, ou com períodos de parada do crescimento; geralmente, não regridem espontaneamente. Apresenta uma fase de atividade clínica, sendo chamado como “quelóide ativo”, com vermelhidão, coceira e/ou dor, e uma fase de inatividade clínica ou estável, conhecido como “quelóide inativo”, sem a presença de sintomas ou crescimento. O quelóide aumenta suas dimensões, ou as mantêm inalteradas, por tempo indeterminado, enquanto a cicatriz hipertrófica tende à regressão.


A diferença entre as cicatrizes hipertróficas e o quelóide é que no primeiro o tecido cicatricial aumentado não excede a localização do traumatismo e tende a se reduzir com o passar do tempo.Na cicatriz quelóide, o tecido de cicatrização se forma além das margens da lesão, como nas fotos abaixo:


                                                                           Queloides

                                                                             Queloide

                                                                  Cicatriz Hipertrófica

                                                                        Cicatriz Hipertrófica

Fatores de Risco

A freqüência maior encontra-se em paciente jovem, entre 10 a 30 anos, com risco maior dos 11 aos 30 anos de idade. É raro em criança e idoso. É mais comum em pessoas do sexo feminino em relação ao masculino. Relata-se quase o dobro (1,8/1) na mulher em relação ao homem, embora alguns pesquisadores não encontraram relação entre o risco de desenvolver quelóide em relação ao sexo.

O quelóide é mais freqüente, pela ordem, em pessoas de cor de pele negra, parda, amarela (orientais) e branca. Pessoas negras estão quase 20 vezes mais predispostas ao aparecimento do quelóide que pessoas brancas.

A presença simultânea de mais de um quelóide, em relação a situações com a presença de um único quelóide, também é um fator de risco para aumentar a chance do quelóide retornar após sua retirada cirúrgica. De qualquer forma, um quelóide reincidente não representa uma contra-indicação para uma nova operação.

Não existe quelóide espontâneo. As lesões sem causa aparente são provocadas por pequenos ferimentos não percebidos pelo paciente, como pequenas espinhas (pústulas) na pele por acne, lesões da catapora, ou até picada de insetos. O quelóide é também mais freqüente em regiões de pele mais escura ou pigmentada.

A causa desse distúrbio ainda está insuficientemente esclarecida. Apenas conhecem-se fatores de risco para o desenvolvimento do quelóide, como feridas suturadas sob tensão ou em regiões de pele mais espessa, que cicatrizaram sem sutura, ou feridas que evoluíram com infecção. Ainda, pessoas com algum tipo de alergia são mais freqüentemente encontradas nos portadores de quelóide, em relação às pessoas com cicatrização normal.




Tratamentos
  Os tratamentos disponíveis apresentam resultados variáveis e, além disso, qualquer interferência em um quelóide pode levar ao seu aumento de tamanho ou à formação de outro quelóide. As opções de tratamento são as seguintes:
Coberturas: é um tipo de tratamento seguro e indolor, que consiste na aplicação de coberturas (como se fosse um curativo) feitas de silicone ou de uma substância chamada "silastic". Esses curativos parecem reduzir a espessura do quelóide, com o passar do tempo.
Curativos Compressivos: quando empregados por período prolongado, às vezes por até 12 meses, podem levar à redução do tamanho do quelóide. Essa estratégia é, também, eficaz na prevenção de novas cicatrizes.
Cirurgia: o procedimento deve ser delicado, demandando grande cuidado por parte do cirurgião. Embora se observe uma taxa de recorrência de 45%, esse valor pode ser reduzido significativamente, quando se associam outros tratamentos. A retirada da cicatriz, por cirurgia ou laser, pode ser seguida de injeção de corticosteróides. Algumas técnicas especiais de fechamento da pele podem reduzir a chance de recorrência.
Injeções de Corticosteróides: estão mais bem indicadas no início da formação da cicatriz, ou quando se sabe que a pessoa já tem predisposição para a formação dos quelóides. Nesses casos, os resultados obtidos são melhores. Essas injeções são aplicadas no interior da cicatriz, ajudando a reduzir o tamanho do quelóide e a irritação causada por ele. O maior inconveniente é que as injeções causam grande desconforto, e pode ser necessário o uso de anestesia local (adolescentes e adultos) ou geral (crianças). A pessoa também pode sentir dor por algum tempo após a aplicação.
Criocirurgia: ótimo tratamento para os quelóides pequenos e em pessoas de pele com tonalidade mais clara. Normalmente, esse tratamento é utilizado em combinação às injeções de corticosteróides. Nesse tipo de terapia, utiliza-se nitrogênio em temperatura muito baixa, que altera a circulação abaixo do quelóide e leva à morte do tecido em excesso. Há formação de nova pele, que pode ser mais clara.
Radioterapia: empregada de forma que não penetra no corpo, tendo efeito apenas na pele. É usada logo após a cirurgia, sendo o tratamento mais caro.
Laserterapia: o laser promove um peeling (ou descamação) superficial, porém não altera a espessura do quelóide.

A associação das técnicas de tratamento aumenta a chance de cura e deve ser determinada de acordo com cada caso.

Alergia de contato ao Níquel


Existe um tipo de alergia da pele que se desenvolve lentamente (horas ou dias após a substância encostar em algum ponto de nosso corpo). Dermatite de Contato é o nome específico para esse tipo de reação, que não envolve o anticorpo da classe E (IgE), ou seja, não se consegue determinar a sua sensibilidade por exames de sangue, como o RAST (bastante usado, por exemplo, em investigações sobre alergia a ácaros, pêlo de gato ou veneno de formiga). A forma mais comum de dermatite de contato é a alergia ao níquel, um metal bastante usado na fabricação de bijuterias. Estudos apresentam números de casos que variam entre 5  a 13 % da população.
O teste de contato (ou patch test) é a principal maneira de confirmar o diagnóstico. Neste teste, substâncias são colocadas nas costas do paciente por intermédio de um adesivo. Dois a quatro dias após os adesivos são retirados e o médico avalia a intensidade das reações. Vermelhidão, inchaço e até feridas podem ocorrer, denotando a sensibilidade a um determinado agente.


Às vezes, processo de sensibilização se desenvolve somente após vários anos de uso. Ao contrário do que muitos pensam, essa forma de alergia não melhora com o tempo, ou seja, o corpo não ‘fica acostumado’ com aquele estímulo, que tende então a causar irritações mais intensas com a repetição do contato. Essa é a explicação para um número maior de casos entre as mulheres, que desde cedo já usam adereços que acabam por causar as queixas de ‘orelha inflamada’, uma resposta ao contato com o níquel, presente na liga de metal. Em alguns, se observa irritação e coceira na região abaixo do umbigo – que fica em contato com a fivela do cinto metálico. São pessoas que têm alguma tendência genética para o desenvolvimento dessa sensibilidade.
As queixas de alergia ao níquel aumentaram muito com o uso cotidiano de vários itens produzidos pela indústria do século XX, mas há bastante tempo o ser humano já conhecia esse metal, mesmo sem saber exatamente do que se tratava.
Quando exploradores de metais na Alemanha da Idade Média não conseguiam extrair de forma adequada o cobre de seus minérios, culpavam as entidades misteriosas das matas. Um deles, o gnomo chamado de Níquel, seria o responsável por roubar o metal nobre e deixar no lugar uma substância de difícil manipulação. No Oriente Médio, bronzes antigos apresentavam 2 a 3% de níquel. Também já era conhecido pelos chineses, séculos antes, que para ele deram outro nome: “cobre branco”.
A principal liga metálica do níquel, no entanto, ocorre com o ferro, casamento perfeito para a produção do aço inoxidável. Eles são, na verdade, primoirmãos, metais primordiais inclusive na essência dos planetas. Estão juntos no coração da Terra (por isso aparecem nas lavas vulcânicas) e em jazidas de minérios. A região sul do Brasil é uma grande produtora de níquel, perdendo para o oeste da Rússia, onde estão as maiores reservas. De forma contundente, mas esporádica, a liga ferro/níquel penetra na nossa atmosfera na forma de meteoritos, vindos de explosões cósmicas acontecidas há bilhões de anos, em outros astros.
Curiosamente, a liga ferro-níquel dos meteoritos tem uma concentração tão elevada de níquel (até 30%, dezenas de vezes maior que as ligas terrestres naturais), que seria suficiente um teste de níquel para denunciar sua origem espacial.


Em nosso planeta, os dois metais também passaram a fazer parte dos seres vivos. Lembremos que os seres humanos usam o ferro – dentro das células vermelhas do sangue – como captador de oxigênio para depois o distribuir aos tecidos e muitas bactérias utilizam o níquel como elemento indispensável à sobrevivência.
No século XIX, se dominou a técnica de trabalhar o níquel, utilizando-o na produção de moedas, por exemplo. Nos Estados Unidos, no começo do século XX, a peça de 5 cents (o “nickel”, ou “nick”) ficou famosa e era o preço necessário para a frequência a um cinema (ou “odeon”). Foi a época da febre dos cinemas que apresentavam curtas-metragens (os “nickelodeons”), verdadeiros “caçaníqueis”.
O níquel começou então a fazer parte de ligas variadas usadas em todo o tipo de produtos metálicos do dia a dia. Clipes, maçanetas, suportes de luminárias, colares e brincos. Também encontramos em acessórios de roupas (zipper, botões), metais em mobílias, objetos niquelados e prateados, lâminas de barbear, ferramentas, utensílios e instrumentos, óleo de corte, alguns alimentos e, eventualmente, em detergentes e tinturas de cabelo. Até a peça de metal de telefone celular já foi descrita em artigo científico como causadora de irritação na face.
Portanto, a infinidade de benesses industriais tem, como trocadilho, esse outro lado da moeda: a presença de uma substância indutora de reações alérgicas, causando a dermatite de contato.
Note-se que o termo dermatite, sozinho, não significa muita coisa. Refere-se de forma abrangente a uma irritação de pele. Quando dizemos que a dermatite é de contato, o médico já entende do que se trata: uma irritação que não tem cura, para a qual não existe vacina alérgica (ou imunoterapia), pois essa afecção de pele não está relacionada ao anticorpo IgE.
O tratamento inicial das lesões envolve principalmente os cremes e pomadas à base de cortisona (ou corticoide). Antialérgicos (os anti-histamínicos) por via oral podem trazer algum alívio da coceira, mas o item fundamental é o afastamento do material que produz a dermatite. O caixa do supermercado usará luvas, ou tentará evitar o contato com as moedas, por exemplo, e o botão da calça será revestido com uma peça de algodão para evitar o contato direto com a pele; os brincos serão substituídos por aço cirúrgico, titânio, ou então por peças com banho duplo de ouro com mais quilates. Para a surpresa de muita gente, uma peça de ouro pode produzir esse tipo de reação. A explicação é que se constitui de uma liga metálica (o ouro puro seria muito maleável para produzir uma joia).
O trabalho (ou eventualmente outra ocupação cotidiana) é um dos fatores implicados na evolução desse tipo de dermatite. Em artigo recente, publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia, demonstrou-se que 11% das irritações de pele (isto é, das dermatites) foram classificadas com sendo de Dermatite de Contato Ocupacional. Dentre esses pacientes, 37,5% tinham antecedentes de alergia (ou atopia), mostrando que existe uma maior chance dos alérgicos desenvolverem a doença. Além disso, os dados do estudo evidenciaram que condições de trabalho com alta umidade, ou ambientes “molhados”, aumentavam a ocorrência do problema, que em 70% das vezes se localizava nas mãos.
Em 1994, a Comunidade Europeia criou diretrizes para o uso do níquel pela indústria, como a limitação da sua porcentagem na liga metálica e a avaliação da quantidade do metal que é liberado na pele. Desde então, tem sido relatada a diminuição dos casos. Alguns diriam que este é o caminho da modernidade: achar soluções para os problemas que ela mesmo cria.

Dr. Raul Emrich Melo
fonte:> site tratando alergia

Tratamento de Parkinson na rede pública

Uma cirurgia para estimular o cérebro de pacientes com Parkinson por meio de descargas elétricas, até então restrita a hospitais universitários, ganha acesso público no Hospital de Transplantes, na capital paulista. Conhecida como DBS, a técnica consiste em colocar eletrodos em regiões profundas do cérebro para melhorar a atividade do órgão e reduzir os sintomas comuns como rigidez e tremores.


Com duração de 4 horas, a operação, com preço estimado em R$ 100 mil, pode agora ser recomendada a clientes da rede pública, desde que seja indicada pelo médico como melhor solução para o caso.

Para 70% dos parkinsonianos, o tratamento com medicamentos é suficiente para dar conta do avanço da doença e dos sintomas. Porém, o restante necessita de alternativas para controlar a doença. Somente 10% dos portadores são considerados ideais para passar pela cirurgia.

"Entre 80% e 90% dos pacientes que realizaram a operação deixam de apresentar sintomas após o procedimento, posteriormente acompanhado por drogas", afirma Arthur Cuckier, coordenador do departamento de neurologia do hospital.

No mesmo prédio do antigo Hospital Brigadeiro, a unidade realizou, nos dias 8 e 9 de novembro, um evento para divulgar a técnica para mais de 100 profissionais. Aulas teóricas, cirurgias ao vivo e a prática com as peças ao vivo foram oferecidas, com a supervisão de médicos brasileiros e estrangeiros.

"O objetivo foi divulgar a técnica para todo o Brasil. É preciso existir mais centro de referência para tratamento da doença com essa técnica", diz Arthur. "O trabalho de divulgação é único no Brasil, com um curso tão especializado. A técnica não é nova, já existe em hospitais universitários, mas agora, além de estar disponível em um local voltado à assistência, talvez ela possa ser passada a outros centros médicos, em todo o país."

Tremores e rigidez

O Parkinson é causado pela ausência de uma substância conhecida como dopamina no corpo, que deixa de ser produzida com a morte de neurônios em uma região do cérebro chamada substância negra. Os principais sintomas são a rigidez nos movimentos e os tremores constantes no corpo. Afeta 1% da população mundial acima dos 50 anos.

O local no cérebro a receber o estímulo é definido individualmente para cada paciente por meio de uma técnica chamada estereotaxia. Tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas são feitas no crânio do paciente, para que o médico possa saber a posição exata onde colocar o eletrodo.

Com uma espécie de "capacete" para medição, colocado junto à cabeça do paciente, o médico marca a superfície do couro cabeludo para fazer cortes de até 5 cm. Um orifício no crânio, de apenas 1 cm, permite a passagem de um fio de irídio, com quatro pólos de platina na extremidade e revestido por silicone. Ele será o condutor das descargas elétricas até a região desejada.

Uma trava colocada na entrada do corte no couro cabeludo impede que o fio de irídio saia do lugar. Uma extensão é conectada ao fio, passa por trás da orelha e liga o eletrodo dentro da cabeça do paciente a um gerador de descargas elétricas. O aparelho é capaz de gerar correntes de até 10 volts. A "dosagem" varia de paciente para paciente, ficando em uma faixa de 3 a 8 volts.

fonte: http://www.g1.globo.com/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A simplicidade da vida

Fico emocionada ao ouvir relatos de vida de pesoas simples, que sabem tirar da vida o que ela tem de melhor. Enquanto muitas pessoas estão preocupadas em  "TER", valorizando as conquistas materiais, algumas poucas nos ensinam que os maiores prazeres estão nas coisas simples, como diz o ditado: " os melhores prefumes estão nos menores frascos".
Este assunto serve para refletirmos sobre o nosso envelhecimento, quando o nosso corpo trará limitações às nossas conquistas. E também, porque valorizar somente o que é NOVO. A estética está criando uma cultura do "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". Devemos cuidar do nosso corpo porque ele é a nossa ferramenta mais importante para as nossas conquistas, porém não podemos deixar de valorizar as próprias conquistas, inclusive aquelas ruguinhas conquistadas com a experiência.




A idade não é um pretexto para que se fique velho. (G. Slattery)

O texto abaixo foi escrito por um geriatra e é lindíssimo, e representa bem o que estou dizendo acima:


     Era para ser uma conversa semelhante às anteriores, curta e superficial, visando apenas tomar ciência dos últimos acontecimentos e planejar algum evento futuro.
     Algo, porém, inexplicavelmente, fez com que o assunto se encaminhasse para as suas prioridades atuais comparadas às do passado e de como as mudanças de atitude podem ser decisivas nesta busca pela manutenção da autonomia e independência, visando o envelhecimento saudável.
     Foi neste instante que a metamorfose ocorreu. Os olhos ficaram mais brilhante, a voz mais firme e a argumentação mais convincente. Sem pestanejar, aquela delicada senhora, com mais de 80 anos vividos, passou a descrever como os seus pequenos prazeres cotidianos podem, ao fim de um dia, somarem-se em um bom motivo para louvar a sua existência.
     Nada sofisticado nem excepcional. Tudo muito simples, como a vida pode e deve ser vivida, mormente nesta fase de longevidade. O separar dos remédios, enquanto o café escorre do coador concorrem com a atenção para que o leite não transborde ao ferver. Pequenos desafios, vencidos diariamente ao som do noticiário na rádio, buscando “ter assunto para conversar mais tarde”. Tarefas de limpeza e arrumação de um ambiente prático demoram pouco, principalmente quando feitas com organização e objetividade: “guardo apenas aquilo que tenho certeza que vou usar depois”. Meio da manhã, sempre há algo que precisa ser feito fora de casa: uma pequena compra ou o conserto de um sapato ou utensílio da casa, tudo é motivo para uma boa caminhada: “nunca vou pelo caminho mais curto, pois não tenho pressa e sei que é bom andar”.
     Resolveu morar no litoral desde que considerou cumprida a sua missão de cuidar dos pais e auxiliar no zelo dos netos. Sonho antigo de quem gosta de locais onde a vida transcorre com mais facilidade e boa convivência.
     Os filhos, inicialmente temerosos, foram se convencendo de que uma boa rede de amizades pode dar mais apoio do que a presença eventual dos parentes. Visita-os semanalmente, avisando com antecedência quais são os seus planos de permanência, itinerários e destinos.
     Há muito decidiu comer em locais que servem “por peso”. Mesmo sendo uma exímia cozinheira, fez esta opção por razões bem justificadas: “lá encontro maior variedade de alimentos, o que me permite escolher o que mais me apetece dentre as coisa que fui orientada a comer”.
     Além disso, exercita a necessidade de escolher qual o restaurante, qual a composição do prato, qual o suco que melhor acompanha, pois “ninguém melhor que eu para saber qual o meu gosto, em cada dia”.
     Após o almoço, outra caminhada pelo calçadão. Senta-se nos bancos e contempla o mar, “como se o estivesse vendo pela primeira vez”. Com freqüência, alguém conhecido se detém para uma conversa agradável, uma novidade ou apenas um cumprimento afetuoso. Preserva os amigos como seu patrimônio pessoal.
     Faz o possível para não ter compromissos desnecessários: hora de ligar para um filho ou de tomar banho, por exemplo. “Ligo quando tenho saudades e sei que eles podem me atender com calma. Tomo banho quantas vezes sentir vontade, a qualquer hora do dia”. Com isto, liberta-se, pelo menos em parte, da ditadura do relógio.
     Foi uma longa e agradável conversa. Saí com a deliciosa sensação de que o avançar da idade permite, a quem assim o desejar, obter prazeres onde antes só se reconheciam os deveres.

Autor: 
Wilson Jacob Filho  
Publicado no Jornal Folha de São Paulo em 28/01/2010.


A importancia da atividade física na Terceira Idade


Muitos, se não todos os avanços tecnológicos têm por objetivo principal “facilitar a nossa vida”. Cada vez que o conseguem, são rapidamente incorporados ao cotidiano.
     Inicialmente tornam-se objeto de desejo e em curto espaço de tempo penalizam socialmente quem não os possui. Assim foi com o automóvel, o elevador, as maquinas de lavar (roupa, louça, carros), o controle remoto, o computador e assim continuará sendo com tudo o que ainda está por vir.
     Dentro de cada uma destas conquistas, novas conquistas. Os automóveis, por exemplo, tinham manivelas para acionar o motor e para movimentar os vidros. Os elevadores possuíam portas manuais. Vitrolas, relógios e telefones , necessitavam que “se desse corda”. Estes mesmos equipamentos são, hoje, infinitamente mais versáteis e mais confortáveis que os de outrora e serão, certamente, considerados obsoletos em menos de uma década, quando outros muito mais sofisticados existirão.
     Nada contra o progresso. Muito pelo contrário. Almejamos cada qual destas aquisições e delas nos beneficiamos em cada fase das nossas vidas. Portanto, bem vindas sejam.
     Devemos, porém, estar atentos para um inexorável efeito deletério desta evolução: ela determina cada vez menor necessidade de contrair músculos. Em outras palavras, do ponto de vista funcional temos, a cada dia, uma opção mais sedentária de vida.
     Calcula-se que o ser humano que desfruta destas benesses gaste, em média, 250 quilocalorias a menos, por dia, quando comparado ao que o faria há três décadas. Não é difícil calcular a economia calórica mensal ou anual do homem moderno. Como o consumo alimentar não se reduziu proporcionalmente, o efeito imediato deste progressivo imobilismo é uma verdadeira epidemia de obesidade que se tornou um dos principais problemas de saúde pública em praticamente todos os perfis sociais ou etário.
     Quem poderia imaginar, tempos atrás, que teríamos que nos preocupar com o sedentarismo infanto-juvenil. Hoje sabemos como é importante a orientação dos pais e clientes neste tema. Estudos demonstram que há nítida correlação entre o tempo despendido diante de uma tela (televisão ou computador) e o peso corporal nesta fase da vida.
    Com o passar dos anos, porém, a inatividade torna-se um problema ainda mais grave, por pelo menos três fatores peculiares:
 - Por ser considerada erroneamente um hábito recomendável para quem envelhece, a fim de evitar quedas ou outros tipos de acidentes, fomenta-se a inatividade como forma de proteção, ´principalmente dos idosos moradores em grandes centros urbanos.
 - Porque a perda de massa muscular (sarcopenia), que normalmente decorre da senescência, pode atingir graus incapacitantes quando agravada pelo sedentarismo.
 - Por serem muitos os fatores que favorecem a imobilidade e outros tantos que desestimulam a prática de Atividade Física por idosos. Entre eles salienta-se a desinformação e a escassez de espaços minimamente adequados para este fim.
     O cenário, porém, não é de todo trágico neste sentido.
     Estamos com uma perspectiva mais favorável do que tínhamos no passado. Vê-se luz no fim do túnel. Há cada vez mais estudos mostrando os benefícios da Atividade Física em prol do Envelhecimento Saudável. Isto faz com que os profissionais passem a dar maior ênfase ao aconselhamento deste hábito, seja para seus clientes, seja para si mesmos.
     Por outro lado, as recomendações atuais favorecem muito as atividades de cotidiano que, quando realizadas regularmente, mostram os mesmos efeitos das esportivas. Andar ou subir escadas (substituindo veículos e elevadores), dançar, jardinar, jogar bocha, malha ou sinuca podem, quando somarem 3 a 4 horas semanais, divididas em 3 ou mais sessões, equiparam-se aos benefícios da maior parte das atividades tradicionais.
     Quando são necessárias exercícios ou atividades específicas, para tratamento de uma doença ou de uma limitação específica, deve-se escolher a estratégia adequada para este fim. Também neste campo, felizmente, o empirismo cedeu espaço ao conhecimento científico e a orientação profissional deve ser procurada.
     A Atividade Física, apesar das suas inesgotáveis vantagens, não pode ser considerada uma forma isolada de Promoção do Envelhecimento Saudável, muito embora seja essencial para todas as demais que a ela se associam. Não há como negar que o idoso fisicamente ativo se alimenta melhor, tem hábitos de vida mais regulares, doenças melhor controladas e relacionamento social sensivelmente ampliada em relação aos sedentários.
Dr. Wilson Jacob Filho, fonte: site GeroSaúde

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O uso de pílula anticoncepcional na Adolescência


A pílula anticoncepcional completa 50 anos nesta terça-feira, dia 11. Em 1960, a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, legalizou a primeira pílula contraceptiva da história e, desde então, muita coisa mudou na vida das mulheres. A criação do hormônio é considerada um dos marcos da revolução feminina.
Com o medicamento, elas passaram a decidir quando querem engravidar, fato que causou um grande choque para a geração conservadora da época. De lá para cá, muita coisa mudou e, atualmente, por causa da antecipação do início da vida sexual, até adolescentes passaram a tomar a pílula.

Segundo especialistas, não há problema em adolescentes usarem o método contraceptivo, pois existem pílulas com baixa dosagem de hormônio que não possuem contra-indicações. A doutora Albertina Duarte, uma das ginecologistas mais badaladas do Brasil e coordenadora do programa de saúde do adolescente da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, comenta sobre o uso da pílula da adolescência.

- Hoje existem pílulas de dosagem [hormonal] muito baixa. Então há pouca contra-indicação médica. Só é aconselhável é que a adolescente espere pelo menos um ano depois da primeira menstruação [para tomá-las], para conhecer o seu ritmo hormonal.

Entretanto, a ginecologista afirma que muitas jovens estão tomando a pílula do dia seguinte ao invés de optar pela tradicional pílula de cartela inteira. Como explica Albertina, a mania não é nada saudável para as garotas.

- Tem muitas meninas que tomam a pílula do dia seguinte três ou quatro vezes ao mês. A dosagem deste método contraceptivo é maior do ue a das pílulas de antigamente e é como se as jovens tomassem meia caixa de pílulas em um dia só. O ideal para o adolescente é a baixa dosagem de hormônio.

A médica ainda ressalta que o importante é "não ter uma gravidez indesejada".
- Não engravidar é o mais importante. Usar a pílular não deve ser motivo para maiores preocupações. 

Desta maneira também pensa o Dr. José Maria Soares Junior, chefe do Ambulatório de Ginecologia da Infância e da Adolescência da Unifesp. Para o médico, "a pior coisa que tem é a gravidez na adolescência".

- A paciente deixa de estudar, passa por problemas econômicos e muitas vezes não faz o pré-natal [exames feitos durante a gravidez para garantir a saúde do bebê] ou faz muito tarde.

A Dra. Felisbela Soares de Holanda, ginecologista também da Unifesp,  também acha que "uma gravidez indesejada na adolescência é um problema maior do que o uso do anticoncepcional". Entretanto, a médica conta que muitas meninas usam o medicamento sem prescrição médica.

- A grande maioria usa anticoncepcional e não procura um ginecologista. As garotas optam por aquele que a irmã mais velha ou a amiga toma. Mas talvez não seja o hormônio mais apropriado para elas, pois o médico tem que prescrever a melhor escolha. O importante é que tenha baixa dosagem.

Luciana Mello, de 19 anos, toma a pílula anticoncepcional desde os 16. A garota conta que passou a usar o método contraceptivo quando iniciou a sua vida sexual e porque não queria engravidar.

- Eu comecei a tomar por causa das relações sexuais mesmo e acho bom para evitar a gravidez.
A jovem ainda explica que "nem imagina" como seria a sua vida sem o uso do hormônio e afirma que, além de prevenir uma gravidez indesejada, a pílula regula o seu ciclo menstrual.

fonte: site: Guia-me.

Contraceptivo em gel


Um contraceptivo em forma de gel poderá, em breve, ser mais uma opção eficaz à pílula anticoncepcional. Ainda em fase de testes, o medicamento contém uma dosagem de hormônios similar aos contraceptivos orais. A diferença é que o gel parece ter bem menos efeitos colaterais, principalmente ganho de peso e acne. Além disso, poderá ser usado também por lactentes, já que não interfere na composição do leite materno.
Feito para ser aplicado na pele das pernas, barriga, braços ou ombros diariamente, o medicamento é absorvido rapidamente e não deixa resíduos. Pesquisadores da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva estão otimistas e esperam que a droga esteja no mercado nos próximos anos. A médica Ruth Merkatz, que coordena os estudos, afirma que nenhuma mulher engravidou até agora testando o novo contraceptivo.
- Para um estudo pequeno, os resultados foram animadores. Ainda estamos na fase inicial de testes, mas em breve planejamos testar em um grupo maior de mulheres.
Um estudo feito na Alemanha e publicado pelo "Journal of Sexual Medicine" mostra que um terço das mulheres que toma pílula está insatisfeita por causa de seus efeitos colaterais. O que mais incomoda, segundo os pesquisadores, é a perda da libido, que pode acontecer por causa das doses de hormônios sintéticos.

O Globo
Notícia publicada em: 29/10/2010